Archive for the 'Contribuição do leitor' Category

14
nov
08

Uma boa visita…

Já diz o ditado que o bom oficineiro sempre retorna ao Outra Pauta, e a Amábyle, da primeira turma, cumpriu a sina: mandou o produto de reflexões madrugadísticas como contribuição aqui para o blog. Segundo ela se trata  de “um surto psicótico-literário às 5 horas da manhã de sábado dia 09/11”. Que bom que ela resolveu compartilhar e ajudar a matar a nossa saudade do estilo dela, que ajudou a delinear o perfil dos primeiros cadernos.

Valeu Amábyle! Segue o texto

Nada

Minha alma se expande, não cabe mais em mim. Tenho vontade de sair de mim mesma. Voar por aí em busca de nada mais do que o nada. Porque nada precisa se explicar. Nada tem valor ou sentido. Nada é simplesmente nada, e a leveza de sê-lo. Não há nada mais livre, mais limpo, mais intenso e leve que o nada. Gostaria de ser o nada, mas não de não ser nada. Afinal, todos geralmente só lembram-se dele quando ele os vem visitar. Simples, branco, inodoro, insensível. Nada, apenas nada. Invisível, sem compromisso. Mas tão comprometido com não ser. Não ser o que o TUDO pressupõe, não ser a utopia que o SEMPRE induz, não ser o paradoxo do CONTUDO, não ser o peso do NUNCA. Nada é simples, mas tão complexo. Como o nada pode ser antitético?

Amábyle Sandri

Na minha opinião excelente! Bem a la Clarice mesmo. Ai ai, não vou falar mais nada.

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07
nov
08

Tema + Contribuição + Convite

Boa-tarde a todos…

Sexta-feira é sinônimo de correria por aqui, mas a boa notícia é que podemos falar qual é o assunto da edição da próxima semana, a trigésima da história do Outra Pauta. Para marcar esse número retomamos, 20 semanas depois, o assunto da nossa 10ª edição: trânsito. De lá pra cá algumas coisas mudaram nas ruas de Cascavel, por exemplo, a “praça da bíblia” foi reformada e foram instalados semáforos no Trevo das Cataratas. Alguns temas são retomados e outros que não haviam sido abordados se fazem presentes, infração gravíssima não conferir.

Para cumprir a promessa feita no início da semana, postamos hoje mais uma contribuição do leitor. Dessa vez uma crônica do oficineiro Leandro Navarro, que se inspirou num ambiente onde muitas coisas acontecem: o ônibus do transporte coletivo,

SÓ UM PASSINHO PARA TRÁS

Leandro Navarro

Não é nenhuma novidade que o transporte público é desconfortável, caro e super lotado até no nome, lotação. O trabalhador tem que se sujeitar a esperar em longas filas para pegar uma lotação fora do comum, apertada e quente. Dependendo da distancia que ele precise percorrer, é preciso pegar vários ônibus, e ter a paciência de esperar por longos e intermináveis minutos ou horas até chegar ao seu destino.

Recentemente estava eu nesta mesma situação, após ceder meu lugar para uma gestante, pulei para o corredor, que ainda estava vazio. De ponto em ponto, aquilo virou um verdadeiro caos. Pessoas entravam descontroladamente, com caixas e sacolas nas mãos, os pontos cada vez mais lotados pareciam à fila da agência de empregos. Até pensei que talvez pudéssemos entrar no livro dos recordes, por maior quantidade de pessoas com bagagem em um veículo de transporte coletivo. Quando eu achei que não poderiam entrar mais pessoas, o cobrador com toda a boa vontade disse: “O pessoal, só um passinho pra trás, por favor, tem gente querendo entrar, colaborem”. Por alguma razão, ele achou que não estávamos colaborando. E começou uma reclamação geral por parte dos passageiros.

O ápice desta balburdia, foi a última senhora a entrar, desrespeitando a placa ela permaneceu nos degraus. Só ai o motorista percebeu que o show estava com lotação esgotada, e disse: “agora eu só paro no terminal”. Foi um alivio geral, pensamos: pior do que está não vai ficar. Aquela senhora dos degraus gritou: “você está louco? Eu preciso descer daqui à 3 pontos”. Fiquei pensando qual seria a mágica dela para atravessar aquele corredor lotado, com gente escorada até na roleta. A solução foi simples, de mão em mão, ela passou o dinheiro para o cobrador, que de mão em mão retornou o troco a ela. Então ela desceu pela porta da frente, mas sem girar a roleta.

Cenas como esta são comuns, os trabalhadores, que sustentam este país com seu trabalho e impostos, são desrespeitados todos os dias. Não é apenas no transporte coletivo que isso acontece. Imaginem as filas dos bancos, das lojas, dos supermercados. E o povo vai levando, sem força para reclamar, ou muitas vezes por não conhecer seus direitos. Cada vez mais vai dando um passinho para trás, e mais outro, o duro é saber quando vão dar um passo à frente.

Obrigado aos visitantes que comentaram. É bom saber que vocês estão aí, rsrs.

Ah, amanhã rola o filme Bem-Vindo à Casa de Bonecas, “de grátis”, no Cine Clube Silenzio, no Sesc. Mais informações aqui. Estão sempre convidados, tem até certificação de horas culturais.

Até breve!

 

05
nov
08

A Iane Contribuiu!

Oba! Conseguimos transformar mais uma leitora em escritora do Outra Pauta. É a Iane Cruz, acadêmica do segundo ano de Jornalismo que gentilmente enviou algumas crônicas para postarmos aqui no blogue…

A primeira fala de liberdade retomando a morte da Irmã Dorothy, que foi assassinada por lutar pela reforma agrária. Fiquem com o texto:

“Não vou fugir e nem abandonar a luta desses agricultores que estão desprotegidos no meio da floresta. Eles têm o sagrado direito a uma vida melhor numa terra onde possam viver e produzir com dignidade sem devastar.” Ao ler esta citação logo vem em mente a idéia “…de um povo heróico o brado retumbante. E o sol da liberdade … ” Mas que país é este como lembra o nosso saudoso Hino Nacional? Onde está essa liberdade? Em que continente se esconde? Certamente na pátria idolatrada da América do Sul é que não é.

Aqui, descansa em paz uma freira; Irmã Dorothy que, fez jus ao tão idolatrado hino brasileiro, a tão idolatrada terra do Brasil. Esta sim, pode-se dizer que fez parte de um povo heróico que já não existe mais.

Mulher antes de ser freira, lutou como um guerreiro no fronte de batalha, para denunciar as irregularidades ambientais e as desigualdades sociais na cidade de Anapu no Pará e na região.

Graças ao tão almejado mundo capitalista, ela foi assassinada com sete tiros.

Onde estava a polícia pra fazer jus a proteção policial que a irmã vinha pedindo a tanto tempo? Foi esta mesma polícia que investigou o caso depois que já não dava pra fazer mais nada?  Onde estava a imprensa para exigir que os direitos exigidos fossem cumpridos? A resposta para perguntas desta natureza talvez fiquem a “sete palmos”, junto com o caixão da irmã Doroti; que será lembrada, somente lembrada e nada mais.

Este é o país da liberdade de expressão, mas que no fundo, quando esta liberdade quer aparecer, tudo vira em pizza ou em morte. E assim, fatalidades como esta, que interrompeu 73 anos dignamente vividos, ficam no esquecimento.

A vergonha que se instala na Amazônia com a problemática territorial não é recente. Certamente, será preciso importar mais milhares de “guerreiros” de outras nações para dar continuidade na luta por um Brasil mais justo, porém, com estes ditos guerreiros podem vir os oportunistas.

Até quando o Brasil vai ser lembrado como terra de ninguém? Ou pior, lembrado pela sujeira da máfia capitalista? Há de chegar o dia em que o brasileiro ouvirá o hino nacional e poderá dizer: agora sim, esta é a minha nação, esta é uma pátria iluminada pela dignidade de um povo e não de uma terra marcada pelo sangue de tantos. Salvo o dia em que este dia chegar, espera-se que até lá, exista uma imprensa consciente e empenhada para contar o final da história.

 Iane Cruz

Amanhã temos a edição sobre as bicicletas aqui no blog. Obrigado ao Diego (ou J. Duke) que é econômico e mantém este blogue como página inicial, assim economiza digitação todos os dias.

Até bem breve

26
out
08

Ilustres anônimos

Hoje é domingo!

Então já passou da hora de contarmos o tema da próxima edição, que figurará amanhã nas bancas… já pararam para pensar que a massa, que tanto se fala, é formada por seres únicos, cheios de particularidades, mas que muitas vezes passam imperceptíveis nessa nossa correria pós-moderna? Então, entre os milhares de Cascavelenses anônimos mas que fazem toda a diferença no nosso dia-a-dia elencamos alguns e amanhã, temos uma série de perfis cheio de narrativa…

e aproveitando o assunto, hoje fica a recomendação de dois sites de colegas nossos, do curso de jornalismo, mesmo estando próximos muitas vezes desconhecemos o trabalho que eles realizam e expõe para todos na rede…

O primeiro é o Blog de Crônicas do estudante do 3º ano da Univel SIRO STEMPINHAKI, opinião firme em textos leves sobre diversos assuntos, afinal, um bom jornalista tem que saber de tudo um pouco…

O segundo é o FLICKR (galeria de fotos) de GIOVANA DANQUIELI, do 2º ano, também da Univel. Olhar particular e talentoso sobre paisagens e datalhes do cotidiano, as imagens parecem falar.

Só para dar um gostinho, aí vão algumas fotos…

Vale a pena conferir! E também vale indicar os sites de outros colegas…

Bom domingo pessoal, e até amanhã!

P.S. : Hoje tem Retranca, com uma entrevista exclusiva revelando fatos sobre a ditadura militar do Brasil, 40 anos depois do AI 5…

P.S. 2: Hoje tem o teatro do Palco Giratório do SESC, DOS À DEUX, no Marinsta, 20:30h, por R$ 4 para estudante.

P.S. 2.1: Os espetáculos trazidos no Palco Giratório sempre são excelentes!!!

08
out
08

A Sibele contribuiu!

Bom-dia companheiros (nenhuma alusão ao presidente)

Na semana passada tive a felicidade de ser abordada por uma colega de faculdade que desejava saber se podia postar seus textos aqui no blogue. Não só pode. Deve! Então aí está o primeiro, a autora, Sibele Bernardes é formanda em Jornalismo pela Univel, a crônica discute a noção de Liberdade. Esperamos que venham muitos outros! Obrigada Sibele!

Liberdade?

Vivemos a ilusão de que somos livres, mas perambulando em busca da tal liberdade, que nos persegue em agonias e pensamentos por toda a vida.

Difícil é existir no mundo alguém, uma só pessoa, que possua a plena liberdade.

Você pode pensar que: transitar por onde quiser, viajar, namorar, não ter compromissos, comer, gritar, chorar e muitas outras coisas, são sinônimos e resultados da liberdade de expressão.

Perdoe-me senhores, se estarei aqui, matando suas ilusões: Você não anda nem viaja por onde quer, pois não sai do país sem uma ordem em seu passaporte. Não namora o quanto e nem quem você deseja, porque o amor nem sempre bate em dois corações ao mesmo tempo. Não come o quanto quer, pois existem as regras da balança. Não grita nem chora em reuniões, por exemplo, pois necessita manter o “controle” exigido. Não vota porque é livre, nem para exercer cidadania: vota por obrigação. Na política, não pode escolher quem realmente deseja, são impostos a você um certo número de pessoas e você só é livre na hora de decidir entre uma e outra, e nem assim o faz, nem assim aproveita o único momento em que teria uma “meia liberdade”.

O homem preso a uma classe, preso aos enganos dessa classe, não é um homem livre.

Ideal seria, não deixar escorrer por entre os dedos, os únicos fios de liberdade que foram adquiridos através de muita luta.

É preciso livrar-se da vergonha de tudo que rouba a liberdade.

Sibele Bernardes

Comentários são bem-vindos, e contribua você também com suas produções!

Até Breve…

24
set
08

Comunicação é CiÊNCIA

Boa-tarde, outrapauteanos!

Bom, pessoal, o caderno está com algumas páginas já diagramadas e provavelmente fecharemos antes essa semana, pena que isso não influi em vocês poderem ler antes, não é?! Mas tudo bem, na segundinha, a 24ª edição estará disponível nas bancas. Ainda não posso adiantar o tema. hehehehe

Ah! Esta semana teremos Retranca. Domingão cultural então, porque também tem o Gazeta ALT.

E por falar em cultura, a Prof. Dra. Patrícia Marcondes de Barros (FAG- Comunicação Social) nos mandou um e-mail noticiando o lançamento da 6º edição da revista Eletrônica Advérbio dos cursos de Comunicação social da FAG.

“A revista ADVÉRBIO tem como objetivo propiciar o debate de idéias, estimulando a produção científica entre discentes, docentes, pesquisadores na área de Comunicação Social e áreas afins”.

Acessem e vasculhem. vamos prestigiar estas iniciativas (raras) locais.

http://www.fag.edu.br/adverbio

08
ago
08

para ler ouvindo: Camarada D’água

Salve, salve, outrapauteanos!

Mais um post no dia, desta vez vem a indicação de Andressa Moraes, leitora que sempre acompanha o caderno Outra Pauta e que sugeriu uma música. Se você quiser procurar na net e baixar… ó, nesse link aqui dá pra baixar as músicas. Esta é daquele tipo de banda que disponibiliza as músicas para download e usa a cabeça para ganhar grana de outra forma e não cai em papos bestas de pirataria, nessa era do downlaod.

A banda “Teatro Mágico”, uma mistura de música, declamação de poesia e teatro. Tem por tema músicas do folclore brasileiro. No site deles (http://www.oteatromagico.mus.br/novo/) tá bem explicadinho e tem lá várias outras músicas, letras e muito mais…ah! o site é bem foda também.

Camarada D’água

O Teatro Mágico

Composição: Fernando Anitelli / Danilo Souza

Camarada d’onde vem essa febre
Nossa alegria breve, por enquanto nos deixou…
Camarada viva a vida mais leve
Não deixe que ela escorregue
Que te cause mais dor

Caixa d’água guarda a água do dia
Não cabe tua alegria
Não basta pro teu calor
Viva a tua maneira
Não perca a estribeira
Saiba do teu valor

E amanheça brilhando mais forte
Que a estrela do norte
Que a noite entregou!

Camarada d’água
Fique peixe de manhã, de madrugada
Fique todo hora que for

“Você é riacho e acho que teu rio corre pra longe do meu mar…
mar marvado seria o rio
que correndo do meu riacho… levaria o que acho
pra onde ninguém pode achar…”

Como pode um peixe vivo viver fora da água fria?
Como pode um peixe vivo viver fora da água fria?
Como poderei viver, como poderei viver sem a tua,
sem a tua, sem a tua companhia?
Sem a tua, sem a tua, sem a tua companhia?

Viva a tua maneira
Não perca a estribeira
Saiba do teu valor

E amanheça brilhando mais forte
Que a estrela do norte
Que a noite entregou!

Obrigado Andressa e leitores. Té o próximo post.