Archive for the 'Poetices' Category

15
out
08

Confissão

Pessoal, felizmente essa semana estamos com o trabalho adiantado… obrigado aos oficineiros que colaboraram!

Na última reunião de pauta o Sílvio recomendou o site Texto Vivo. Fica aí a dica para o pessoal.

Mas estou falando sobre isso pra enrolar o verdadeiro motivo desse post. Eu quero é fazer uma confissão: eu cometi um atrocidade, quase um assassinato. Foi contra o poema “Eu Etiqueta” do Drummond. O usamos na última sessão Pach Work mas devido a falta de espaço eu precisei fazer a maldade de o sintetisar. Então, para me redimir com os fãs do Carlos, eu posto aqui o poema completo. É de dar taquicardia, excelente!

Eu Etiqueta (Carlos Drummond de Andrade)

Em minha calça está grudado um nome
Que não é meu de batismo ou de cartório
Um nome… estranho.
Meu blusão traz lembrete de bebida
Que jamais pus na boca, nessa vida,
Em minha camiseta, a marca de cigarro
Que não fumo, até hoje não fumei.

Minhas meias falam de produtos
Que nunca experimentei
Mas são comunicados a meus pés.
Meu tênis é proclama colorido
De alguma coisa não provada
Por este provador de longa idade.
Meu lenço, meu relógio, meu chaveiro,
Minha gravata e cinto e escova e pente,
Meu copo, minha xícara,
Minha toalha de banho e sabonete,
Meu isso, meu aquilo.
Desde a cabeça ao bico dos sapatos,
São mensagens,
Letras falantes,
Gritos visuais,
Ordens de uso, abuso, reincidências.
Costume, hábito, permência,
Indispensabilidade,
E fazem de mim homem-anúncio itinerante,
Escravo da matéria anunciada.
Estou, estou na moda.
É duro andar na moda, ainda que a moda
Seja negar minha identidade,
Trocá-la por mil, açambarcando
Todas as marcas registradas,
Todos os logotipos do mercado.
Com que inocência demito-me de ser
Eu que antes era e me sabia
Tão diverso de outros, tão mim mesmo,
Ser pensante sentinte e solitário
Com outros seres diversos e conscientes
De sua humana, invencível condição.
Agora sou anúncio
Ora vulgar ora bizarro.
Em língua nacional ou em qualquer língua
(Qualquer principalmente.)
E nisto me comparo, tiro glória
De minha anulação.
Não sou – vê lá – anúncio contratado.
Eu é que mimosamente pago
Para anunciar, para vender
Em bares festas praias pérgulas piscinas,
E bem à vista exibo esta etiqueta
Global no corpo que desiste
De ser veste e sandália de uma essência
Tão viva, independente,
Que moda ou suborno algum a compromete.
Onde terei jogado fora
Meu gosto e capacidade de escolher,
Minhas idiossincrasias tão pessoais,
Tão minhas que no rosto se espelhavam
E cada gesto, cada olhar
Cada vinco da roupa
Sou gravado de forma universal,
Saio da estamparia, não de casa,
Da vitrine me tiram, recolocam,
Objeto pulsante mas objeto
Que se oferece como signo dos outros
Objetos estáticos, tarifados.
Por me ostentar assim, tão orgulhoso
De ser não eu, mas artigo industrial,
Peço que meu nome retifiquem.
Já não me convém o título de homem.
Meu nome novo é Coisa.
Eu sou a Coisa, coisamente.

Até breve pessoal…

07
out
08

Nas segundas, no blog, no orkut

Buenas, outrapauteanos!

Estamos indo para nossa 26ª edição e como o nosso grande amigo Tiago Aramayo lembrou, mais três vezes esse valor e teremos 100 edições!!!!

Imaginem! Urul \o/

É isso mesmo Bruna, vamos dominar o mundo. Precisamos comemorar que nossa comunidade no orkut está agitada. Em pouco tempo já temos aí, 90 membros, e não são apenas 90 pessoas, são pessoas de bom gosto, que gostam de ler coisas boas, são informadas …… hhahahahah

Você não está na nossa comuna no orkut? Aé!? Acessa aí, agora! hahaha – Só clicar na aba na coluna ao lado, ou na imagem a baixo. Nessa comunidade já estão algumas declarações dos oficineiros (as), de alguns leitores e tem lá um espaço para você comentar e participar.

O blogue (aportuguesando o termo) tá sempre ‘bombando’! Vocês, ainda, não fazem idéia quais são as palavras de busca que puxam os internautas pro blogue. Comédia pura. Vamos fazer um post, logo que possível, tornando público os termos mais bizarros, hahaha. Primeiro, nossos planos se concentram em deixar em dia as várias seções que criamos. Prometo que hoje, no mais tardar amanhã, tem mais wallpaper e outra edição do retranca. Além de em breve atualizarmos nossa seção de podcasts. Mas contamos com sua ajuda para manter fresquinha a seção “eu contribuo”. cadê sua contribuição? Meta a cara, participe!

Por hora, deixo a poesia de um tal Drumond em homenagem aos nossos visitantes ativos, que sempre comentam e para aqueles que estão perdendo a timidez.

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Poema do jornal

O fato ainda não acabou de acontecer
e já a mão nervosa do repórter
o transforma em notícia.
O marido está matando a mulher.
A mulher ensangüentada grita.
Ladrões arrombam o cofre.
A polícia dissolve o meeting.
A pena escreve.

Vem da sala de linotipos a doce música mecânica.

(Carlos Drumond de Andrade)
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Até logo mais.