04
jun
08

“De Pêssego à Uva Passa” (Adriana Possan)

Chega aos vinte e um anos e meio de idade. Aos três construiu seu próprio brinquedo, independente, não gostava de ganhar coisas prontas, achava tudo muito clichê. Aos cinco abria latas de sardinha sozinha. Aos sete, desviava as suas moedas do lanche para máquinas caça-níquel. Foi aos sete também que leu os cinco gibis mais chatos de sua vida. Aos nove, arrancou a porta do seu quarto. Com esses mesmos nove, comprou no camelô, de presente de aniversário para a amiga, um avião de plástico. Aos onze usou calça ‘dins’ e beijou um menino pela primeira vez. Aos treze ganhou uma flauta. Aos quinze soltava pipa da janela do quarto enquanto ouvia música e comia batata doce frita. Aos dezessete catava pedras para sua coleção e estudava para o vestibular. Aos dezenove, percebeu a pele em pêssego. De pêssego, percebeu que à uva passa. Aos vinte e um anos e meio nem pisca, para ela a vida é ímpar para achar que ainda é cedo.

* Contribuição da acadêmica do segundo ano de Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Unicentro, Guarapuava – PR.

Confira o blog de Adriana Possan: http://cactolacto.blogspot.com/

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