01
ago
08

A louça suja do café (Ariel Tavares*)

Como de costume, fui acordada cedo. A porta do meu quarto foi aberta e um LEVANTA me despertou suavemente. O celular marcava 7:50, mas sabia que era um pouco mais tarde, mesmo sem ponteiros, ele estava atrasado. Lavei o rosto, escovei os dentes e voltei para o quarto. Lá, naquela pequena redoma, fiquei inerte por alguns minutos. As pernas cruzadas na posição de lótus e o olhar fixo no teto, depois na janela, depois na escrivaninha, depois nos pés. Percorri um caminho decrescente só para saber onde cheguei e o que talvez me esperava. Naquele instante, acordei do meu transe particular e decidi fazer o café.

Desde ontem, planejava saciar uma vontade: preparar um café com canela e pão com margarina derretida. Hummm! Hoje, isso se concretizou! Esquentei o leite no microondas, não queria perder tempo com o fogão, apesar de deixar o leite mais gostoso. Arrumei duas fatias generosas de pão. A margarina era sem sal, o que me entristeceu. Tentei aliviar o efeito e adicionei sal ao pão, mas o gosto não foi o mesmo. Por fim, salpiquei o pão já molhado de margarina com orégano. O leite quente ganhou duas colheres de café solúvel, três de açúcar e uma pitada de canela em pó. Saboroso! Apesar de comer rápido, senti aquela textura, quase perfeita, entre os dentes, no roçar da língua, de um lado para outro da boca. Engoli com satisfação e alegria. Logo depois, tomava o café e a canela ficava grudada, miúda, nos lábios, um gosto exótico e leve!
Sem pão e sem leite, sobraram apenas umas microfolhas de orégano no prato. Grudei-as na ponta do dedo indicador e aprecei o sabor! Fechei os olhos para sentir melhor aquele prazer, o prazer de uma folha de orégano… Hummm… Indescritível!
Sobre a mesa ficaram os restos do meu café. Uma xícara grande azul vazia, um prato colorido de plástico engordurado, uma colher pequena com um restinho de café no fundo, um garfo limpo pela língua e uma
faca suja de margarina. Minhas marcas estavam em todos os objetos, meus traços de felicidade e tristeza estavam estampados no que ficou: a louça suja do café.

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* Ariel Tavares é jornalista, formada em Letras e pós-graduanda em Língua Portuguesa e Literatura Brasileira pela União Pan Americana de Ensino (Unipan)
ariel@certto.com.br

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