23
maio
08

sobre o desejo como força revolucionária

“Se o desejo é recalcado, é porque toda posição de desejo, tão pequena quanto seja, tem com que pôr em questão a ordem estabelecida de uma sociedade: não que o desejo seja a-social, ao contrário. Mas ele é agitador: não há máquina desejante que possa ser colocada sem explodir setores sociais inteiros. Apesar do que pensam certos revolucionários, o desejo é em sua essência revolucionário – o desejo, não a festa! – e nenhuma sociedade pode suportar uma posição de desejo verdadeiro sem que suas estruturas de exploração, de sujeição e de hierarquia sejam comprometidas. Se uma sociedade se confunde com essas estruturas (hipótese divertida), então, sim, o desejo a ameaça essencialmente. Portanto, é de importância vital para a sociedade reprimir o desejo e, até mesmo, achar algo melhor do que a repressão, a hierarquia, a exploração, a sujeição sejam desejados. É desagradável ter que dizer coisas tão rudimentares: o desejo não ameaça uma sociedade porque é desejo de deitar com a mãe, mas porque é revolucionário” (Gilles Deleuze e Félix Guattari em O Anti-Édipo, p.151)

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